domingo, 19 de dezembro de 2010

A Família como Agente de Prevenção e de Identificação Precoce da Surdez

           O ser humano percebe o mundo e a presença do seu semelhante por meio dos sentidos da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato. Ainda assim, uma pessoa é muito mais do que o simples somatório desses sentidos. A perda de um ou mais deles não diminui, por si, a potencialidade da pessoa; até certo ponto, uma deficiência sensorial, pode mesmo ser atenuada pelo aguçamento dos demais sentidos. Essa perda, entretanto, não representa um obstáculo intransponível para que ela se relacione de forma construtiva consigo mesma, e com o mundo do qual faz parte, construindo para si, por seus próprios meios, a felicidade possível.
           Os sentidos constituem os intermediários principais entre as necessidades internas do indivíduo e o ambiente e, qualquer privação sensorial repercute sobre o equilíbrio emocional que caracteriza uma personalidade madura, embora essa repercussão varie, segundo cada pessoa, e não se manifeste de forma sistemática.
           O surdo está privado do sentido que serve como “antena”, pois proporciona automaticamente informações referentes às flutuações do ambiente. Essa privação provoca o que se chama de “isolamento”, um fator importante para a integração e a estabilidade emocional.
           O controle do ambiente é essencial para manter o domínio da realidade e a criança surda usa os outros sentidos, principalmente a visão, para obter tal controle.
           Myklebust (1975) diz que a organização e a estruturação psicológica da criança surda difere daquela apresentada pela criança ouvinte, pela privação do sentido que opera à distância (audição), o que obriga o organismo a fazer trocas, forçando-o a integrar sua experiência de modo diferente.
           Embora a perda auditiva não conduza, inevitavelmente, a dificuldades sociais e de personalidade, pode criar um ambiente em que tais dificuldades aparecem.
    A deficiência auditiva, exceto em casos raros, afeta a comunicação, que representa a base para a interação social.
    Sabe-se dos sentimentos e atitudes discriminatórias das pessoas, frente a grupos que diferem do geral. Os surdos constituem um desses grupos minoritários que sofrem as restrições dos demais, pelo fato de serem diferentes.
           O auto-conceito e a segurança de uma pessoa portadora de deficiência auditiva influenciam o modo pelo qual percebe e enfrenta a rejeição dos outros. Sentir-se diferente é ruim. Surge então a necessidade de se unir a alguém com características semelhantes e de participar de associações específicas.
            De acordo com os dados estatísticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), um e meio por cento da população dos países em desenvolvimento têm problemas relativos à audição. Por isso, além do Governo, que tem obrigação de cuidar da saúde da população e da prevenção das deficiências, os cidadãos podem também evitar a surdez não se expondo às situações de risco.







           Os pais podem perceber, precocemente, a surdez de seu filho, se observarem alguns indícios ou sintomas, apresentados pela criança, e que podem indicar anormalidades no seu comportamento auditivo. Os principais indícios apresentados pelas crianças que possuem deficiência auditiva são:
  •  não se assustar com portas que batem ou outros ruídos fortes;
  •  não acordar com música alta ou barulho repentino;
  •  não atender quando são chamadas;
  •  serem distraídas, desatentas, desligadas, apáticas, não se concentrar;
  •  não falar de modo compreensível;
  •  não falar, após dois anos de idade;
  •  parecer ter atraso no desenvolvimento neurológico ou motor.
           A verdade é que, seja por razões orgânicas, ambientais ou por força de fatores hereditários ou adquiridos, muitas pessoas são portadoras de um atraso significativo no desenvolvimento que as caracteriza como portadoras de deficiência auditiva. Trata-se de  uma condição complexa e variada que se manifesta pela falta de audição, pelo insuficiente desenvolvimento da fala, com prejuízo à interação do indivíduo com o meio em que vive.  Uma criança, de qualquer faixa etária, que não reaja a ruídos ambientais, a sons instrumentais e à voz humana, provavelmente é surda e deverá receber atendimento médico e educacional especializado.
           Nesse caso, os pais e/ou a família deverão procurar os serviços comunitários: médicos, psicossociais, educacionais, associações de pais de surdos e associações de surdos.




http://www.ines.gov.br/ines_livros/7/7_PRINCIPAL.HTM


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